Que atitudes devem as lideranças cultivar durante a gestão de uma crise?

Que atitudes devem as lideranças cultivar durante a gestão de uma crise?

Nas últimas semanas, as decisões das lideranças das organizações deixaram de estar focadas na inovação, aumento de lucros ou reforço de quotas de mercado. Com o COVID-19 a obrigar muitas empresas a parar atividade, o esforço dos líderes é agora para garantir o controlo de custos e a manutenção da liquidez das suas organizações.

Uma transição difícil, que exige agilidade e que colocará muitos líderes à prova, obrigando-os a desenvolver competências que provavelmente até aqui nunca tinham trabalhado. De acordo com a Harvard Business Review, um estudo recentemente publicado pela ghSMART inquiriu 21 mil lideranças e revela quais as atitudes e comportamentos que os líderes precisam agora de cultivar para se manterem à tona nesta altura de crise.

Velocidade vs precisão

De acordo com a publicação, este é um momento de enorme incerteza. A situação pode mudar de dia para dia e os líderes devem ter a capacidade de processar de forma ágil a informação que têm disponível para decidir de forma rápida e convicta.

Em alturas de crise como a que estamos a viver, a informação existente pode não ser a mais completa, as prioridades e os interesses podem ser coisas bem distintas e as emoções podem colocar-se no caminho das decisões.

A Harvard Business Review diz que, por isso, os líderes devem ter a capacidade de definir prioridades, estabelecer quem decide o quê e tomar ações sem medo dos erros, que certamente acontecerão. Não agir é pior do que tomar uma má decisão.

Ousadia

Estar à frente das circunstâncias é essencial nesta fase. De acordo com a Harvard Business Review, as lideranças devem ser capazes de decidir o que não querem fazer de todo, devem colocar as grandes iniciativas e investimentos em stand-by e priorizar. Os planos feitos há um mês ou dois muito provavelmente já não farão qualquer sentido e as ações que anteriormente traziam resultados hoje já não são relevantes. Os líderes devem, por isso, ser capazes de se ajustar rapidamente e desenvolver novos planos de ataque.

Proatividade

A Harvard Business Review explica ainda que os melhores líderes são aqueles que assumem a responsabilidade perante uma crise, mesmo que muitos dos desafios e dos fatores estejam fora do seu controlo.

Nesta fase é importante estabelecer novas métricas para a produtividade e criar uma cultura de responsabilização. As lideranças devem ser capazes de definir as suas maiores prioridades neste momento e garantir que as suas equipas estão alinhadas com essas prioridades.

Garantir o bem-estar da equipa

De acordo com a Harvard Business Review, “em tempos de crise, nenhum trabalho é mais importante do que tomar conta da equipa”. Os melhores líderes são aqueles que entendem as circunstâncias de cada pessoa e as suas distrações e encontram formas para as manter motivadas.

Falar com a equipa diariamente pode ser uma boa estratégia, sobretudo se o foco não for apenas o trabalho. As lideranças devem procurar perceber como estão as suas equipas a lidar com o momento que estamos a viver a um nível mais pessoal e só depois se devem focar no trabalho.

Além disso, é importante ter a humildade de pedir ajuda. Os melhores líderes não são os que fazem tudo sozinhos. Identifique os membros da equipa que podem apoiar o cumprimento dos objetivos chave.