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Teletrabalho: o que ninguém conta

Teletrabalho: o que ninguém conta

Em 2018, dados divulgados pelo Eurostat indicavam que cerca de 10% da força de trabalho da União Europeia – 25 milhões de pessoas – já trabalha de forma remota, um número que deverá continuar a crescer, sobretudo agora que a pandemia de COVID-19 nos está a obrigar a todos a encontrar soluções para nos mantermos ativos ao mesmo tempo que garantimos o distanciamento social.

Mas por mais atrativo que possa parecer e de todas as vantagens associadas ao trabalho remoto, trabalhar a partir de casa exige disciplina e motivação e pode não ser para todos…Eis o que ninguém nos conta quando fala de teletrabalho.

Trabalhar em casa é difícil

Provavelmente muitos de vós já terão descoberto isto no último mês, mas trabalhar de forma remota pode ser um verdadeiro ‘choque’. Podemos ter de esperar horas até que alguém nos responda às nossas questões, passamos a ter de lidar com tudo sozinhos e podemos cair no erro de começar a adiar tarefas…

Apesar disso, um estudo realizado pela plataforma Buffer em 2019 indica que 90% daqueles que já trabalham de forma remota não voltariam a trabalhar num escritório, apesar de todas as dificuldades sentidas.

Lidar com a solidão é um desafio

Como humanos precisamos de interação social. A menos que faça pausas regulares para ligar aos seus colegas de trabalho ou faça reuniões por Zoom ou Skype, o mais certo é que passe muitas horas sem ver ou falar com ninguém. 60% da população dos EUA revela sentir solidão de uma forma regular. Os trabalhadores remotos estão em maior risco de sofrer de solidão e outros problemas associados como a depressão e a ansiedade. A dificuldade em estabelecer interações cara-a-cara com outras pessoas é frequentemente aprontada pelos trabalhadores remotos como um dos maiores desafios desta forma de trabalho e numa altura em que nos é pedido que mantenhamos o distanciamento social, esse sentimento pode adensar-se…

Passar dias inteiros sem sair de casa

Este é um sentimento comum a todos nós neste momento, mas que os trabalhadores remotos já terão descoberto há mais tempo. Trabalhar para além das oito horas de trabalho diárias e passar dias inteiros sem sair de casa é uma experiência que a maioria dos trabalhadores remotos já viveu e um dos maiores ‘contras’ desta opção de vida. Uma das melhores formas de contornar isto passa por criar um horário fixo com tempo reservado para trabalho e para pausas. E claro, passa por cumpri-lo…

Como nos podemos adaptar a este ‘novo normal’?

O debate à volta do que é melhor – trabalhar sozinho em casa ou num escritório – é inútil. Há vários estudos que inclinam a balança tanto para um lado como para o outro, mas um estudo científico recentemente publicado indica que uma das melhores metodologias passa por uma colaboração intermitente. Como? Bem, sabemos que a maioria de nós é mais produtivo quando trabalha sozinho, sem interrupções. Quando estamos em constante colaboração com outros podemos cair no erro de esperar que seja o outro a contribuir. A colaboração intermitente pode ser a solução mais eficaz na medida em que permite que as pessoas trabalhem de forma independente e depois consultem a equipa para ter feedback.

Além disso, sabemos já que a produtividade é diretamente afetada pelas ferramentas usadas. Há diversas ferramentas que podem ajudar a tornar o trabalho remoto mais eficiente. E sim, é possível formar a sua equipa para usar essas ferramentas. Usar uma app ou software de videochamadas pode não parecer complicado para a maioria das pessoas, mas quando se tem a equipa espalhada por vários pontos do país ou do mundo ou com tipos de formação distintos, pode ser um desafio.

É ainda importante que saiba que nesta fase as ferramentas e técnicas de comunicação clássicas, como o email, não são o suficiente para promover a colaboração da equipa. Opte por aquelas que mantêm a equipa conectada em tempo real e facilitam a partilha de documentos, a organização de calendários e a geração de relatórios.

Preparar o futuro

Basta acompanhar as conferências diárias da Direção-Geral de Saúde para perceber que não vamos voltar ao ‘normal’. O que se espera de nós é que tenhamos a capacidade de nos adaptar a um ‘novo normal’ e para muitas empresas isso pode significar implementar o teletrabalho de forma mais definitiva para a maioria das suas equipas.

Não é esperado que todos adiram a este ‘movimento’ de forma imediata, mas o mais certo é que o teletrabalho deixe de ser visto apenas como um benefício para os ‘Millennials’ e que torne numa norma para a maioria das organizações. Ter uma equipe remota já não vai ser escolha, mas sim uma obrigação para as organizações que queiram continuar a trabalhar com os trabalhadores mais experientes e qualificados.