Reforço da comunicação e mindset de agilidade na transformação são os legados do COVID-19 para os RH

Reforço da comunicação e mindset de agilidade na transformação são os legados do COVID-19 para os RH

A IFE by Abilways realizou na passada terça-feira (19 de maio) a primeira edição do Algarve RH Meeting. O evento, que deveria levar as tendências de Recursos Humanos e Gestão de Pessoas à cidade de Faro, teve de se digitalizar devido à pandemia de COVID-19 e durante uma manhã reuniu centenas de participantes online.

Paulo Águas, Reitor da Universidade do Algarve, um dos parceiros na organização do evento, abriu a manhã referindo que, devido ao que estamos a viver, “a incerteza será a única certeza e o que nos move é seguir em frente (…) A agilidade ensina-se e aprende-se.”

A afirmação acabou por ser o mote para tudo o que se debateu ao longo de toda a manhã, com os oradores convidados a refletirem sobre tudo o que tiveram de fazer para, de forma ágil, adaptarem as suas organizações e os seus Recursos Humanos ao período de confinamento.

Luísa Salazar d’Eça, Corporate Director HR da Aviludo, explicou que no processo de transferência de algumas equipas para um regime de teletrabalho, a comunicação tem sido uma peça fundamental.

A responsável pelas políticas de RH da Aviludo lembrou ainda a importância da cultura de uma organização e afirmou que “é difícil espalhar a cultura sem comunicação”. Para Luísa Salazar d’Eça existem várias formas de o fazer, mas é essencial “criar um balanço entre as hard skills e as soft skills para garantir que a mensagem é adaptada e chega a todas as pessoas.”

A Corporate Director HR da Aviludo referiu também que “as soft skills são o que nos distingue”, nomeadamente a capacidade de comunicação e fazer face aos problemas e a capacidade de trabalhar em equipa, que para a responsável “são muito importantes”.

Luísa Salazar d’Eça concluiu referindo que durante esta pandemia o que tem marcado a ação da empresa tem sido “a vontade de levar as coisas em frente” e “de fazer com que as coisas continuem a acontecer”.

“O espírito de entreajuda e a necessidade de nos adaptarmos rapidamente também marcou as últimas semanas. O mais difícil é dar respostas num contexto de muita incerteza. Mas embora estejamos longe, sentimos a equipa mais próxima”, concluiu.

Susana Silva, Diretora de Pessoas do El Corte Inglés, outra das oradoras convidadas, lembrou que não há felicidade no trabalho se não houver satisfação e envolvimento. “Estamos mais felizes quanto mais nos sentirmos parte da empresa. E por isso, temos embaixadores que têm como missão promover o envolvimento entre todas as pessoas da organização”, referiu.

A Diretora de Pessoas do ECI acredita também que esta pandemia tem servido para reforçar o espírito de equipa dentro da organização. “Incentivámos as reuniões semanais com os chefes de equipa. Apesar de estamos separados, estivemos mais próximos que nunca. A comunicação fluiu. As pessoas perceberam que com as medidas de segurança era possível fazer outras coisas e isso criou uma união de grupo muito importante. Fizemos muitas campanhas internas a dar os parabéns e a agradecer à equipa que estava no terreno e eles sentiram-se como heróis por estar na frente da batalha”.

Já Jaime Morais Sarmento, Diretor de Recursos Humanos da UIP Hotels & Resorts, empresa que opera num dos setores que mais tem sido afetado pelo COVID-19, – a hotelaria – acredita que depois de esta ‘crise’ passar, “a autoestima e a capacidade de resiliência das pessoas será agora muito importante”, sobretudo no setor do turismo.

“Vamos ter agora de assumir que nos tempos mais próximos vamos ter de seguir determinadas regras. Esse será um desafio muito interessante para esta indústria, que está habituada à ideia de fazer tudo o que o cliente deseja (…) Além disso, vamos ter de trabalhar outras competências ao nível da liderança. A comunicação ganha um relevo enorme na performance das pessoas e na ligação das pessoas com a organização. A confiança, a autonomia e a responsabilidade vão ganhar mais força em relação ao passado”, explica.

O responsável concluiu referindo que a pandemia e a consequente necessidade de adotar o teletrabalho para manter as operações das empresas a funcionar veio lembrar que “ainda vivemos numa cultura em que estar fisicamente no trabalho é sinónimo de estar a trabalhar e, nesse aspeto, o teletrabalho cria um desafio porque há sensação de que não há controlo sobre as pessoas e não se sabe se estão a trabalhar. Haverão ganhos para ambos os lados. Acredito que as lideranças terão de colocar o seu foco na comunicação.”

Reinaldo Teixeira, CEO da Garvetur, vê algumas consequências positivas nesta ‘crise’ apesar do abalo que o setor sentiu e da “disciplina” necessária no teletrabalho. “A ideia de que vermos as pessoas [fisicamente] é igual a produtividade está a cair em desuso. Esta nova realidade veio cimentar aquilo que ao longo dos anos temos vindo a promover: a agilidade e a abertura para a mudança. O positivo é que nos vamos tornar muito mais ‘aceitantes’ deste mundo digital e ficámos mais capazes para lidar com a incerteza nas organizações (…) Temos preocupação em manter os níveis de produtividade, mas tenho a noção clara que os nossos quadros fizeram muito mais do que fariam no passado porque perceberam a necessidade de estarem envolvidos. Este momento veio lembrar-nos da necessidade de sermos sempre ágeis e da transformação. Deve servir de mote para esse mindset de transformação constante”.

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