Os princípios das Neurociências aplicados à formação

Os princípios das Neurociências aplicados à formação

Sabe quais os principais mandamentos de Neurociências aplicáveis à formação e ao desenvolvimento? Karine di Fusco, consultora e coach e aprendiz de Nadia Medjad, especialista francesa em neurociências, debruçou-se sobre o tema durante uma conferência organizada pela EFE by Abilways (‘braço’ francês da IFE by Abilways). Eis o que aprendemos.

Conhecer os inimigos

De acordo com a especialista, o principal inimigo da aprendizagem é a fragilidade da atenção. A nossa concentração é limitada e é uma presa das sirenes da atenção: distrações, interrupções, multitasking, notificações, alertas de som, instante messaging…Imagine que aprender é um foguetão cujo combustível é a motivação: o primeiro passo desse foguetão é a atenção. Sem esta condição essencial não existe apreensão de novos conhecimentos. Além disso, a concentração requer muita energia e recursos.

Outro inimigo da aprendizagem é o cansaço que a aprendizagem (e a atenção dirigida) gera. Fadiga e outras necessidades fisiológicas como fome, sede… essas necessidades são fatores stressantes para os nossos cérebros, cuja dimensão arcaica analisa a informação como a mais relevante a ser considerada. As necessidades fisiológicas estão, assim, na linha da frente das nossas preocupações. Uma solução? Faça pausas para aliviar o esforço de atenção e recarregar as baterias.

Outro inimigo da aprendizagem é a ansiedade. Resumindo, quando estamos ansiosos preocupamo-nos com uma situação passada imaginando o que poderíamos ter feito ou dito ou imaginamos um cenário de desastre para um evento que está por vir. Supondo que todos já sentimos essa angústia, acha que conseguiria trabalhar ou concentrar-se dessa forma? Um certo nível de emoções negativas perturba, ou impede, a aprendizagem, diz ainda a especialista em neurociências.

A neurociência veio ensinar-nos que as emoções têm um enorme impacto nas situações de aprendizagem. Cabe aos formadores terem consciência dessa dimensão não cognitiva e saber como funciona.

Perfil do formador é crucial

A qualidade do formador é, ainda, um fator determinante para o sucesso da aprendizagem nas suas três dimensões – Atenção, Memória e Motivação. Essa dimensão não cognitiva permite para desenvolver uma relação de confiança com os formandos, reduzir o nível de stress e criar um ambiente propício à aprendizagem.

Um estudo conduzido por John Hattie, nos EUA, conclui inclusive que essa capacidade relacional (e de criar um clima de confiança, dando feedback, etc) é um fator mais importante do que o nível de especialização de um formador para ‘conquistar’ os formandos.