Colaboradores “estão cada vez menos disponíveis para fazer parte de um projeto sem propósito”

Sofia Castro, SONAE

“O propósito e conduta das empresas tem um enorme impacto na atração e retenção de talento.” A afirmação é de Sofia Castro, Head of Area – Talent, Culture & Communication da Sonae, que no próximo dia 17 de junho será uma das oradoras da ExpoRH Live, evento onde irá explicar como podemos encontrar significado e prazer no trabalho.

Qual é a importância do propósito na retenção e motivação das equipas?
Cada vez mais as pessoas procuram um propósito pessoal e exigem que as organizações tenham impacto na sociedade. Estas preocupações refletem-se em muitas vertentes do seu comportamento. Nos hábitos de consumo, no respeito pelos outros e pela sua individualidade e naturalmente, também, na sua forma de estar no trabalho.

Para conseguir subsistir e dar estabilidade a quem lá trabalha, as empresas têm que estar focadas no lucro. No entanto, não o podem fazer sem uma consciência social. Esta é uma exigência dos clientes, mas também dos seus colaboradores que estão cada vez menos disponíveis para fazer parte de um projeto sem propósito.

Na Sonae MC este propósito reflete-se no envolvimento de todas as nossas pessoas, desde o empenho dos nossos repositores de frescos que nos ajudam a contribuir para uma melhor alimentação dos portugueses, aos responsáveis pelo desenvolvimento de produto que trabalham para que os nossos produtos de marca própria sejam amigos do ambiente. O propósito e conduta das empresas tem um enorme impacto na atração e retenção de talento.

Quais são, na sua opinião, as melhores formas de promover maior equilíbrio entre a vida profissional e pessoal?
Para promover a integração entre a vida pessoal e profissional é importante primeiro reconhecer a individualidade de cada um, que se reflete em necessidades distintas e exige flexibilidade e capacidade de adaptação.

Na Sonae MC lançámos em abril do ano passado o Flex it up, um programa que permite aos nossos colaboradores trabalhar a partir de casa, ajustar o seu horário de trabalho, adquirir 5 dias de off extra não remunerados, trabalhar a tempo parcial ou, ainda, tirar licença sem vencimento. Temos já mais de 40% da população elegível a usufruir de, pelo menos, uma destas iniciativas, com um impacto muito relevante no seu bem-estar. As motivações para a adesão a este programa são distintas de pessoa para pessoa. O apoio à família, o desenvolvimento de uma atividade pessoal ou mesmo o impacto financeiro de diminuir as deslocações são apenas algumas das vantagens de que os nossos colaboradores nos falam.

Tal como assistimos no Marketing a uma crescente importância do serviço e experiência de Cliente, teremos que nos Recursos Humanos abandonar uma abordagem mais processual e focar o nosso trabalho na construção de uma experiência de trabalho mais enriquecedora e satisfatória.”

Para este tipo de medidas terem impacto não basta desenvolver um programa. É crítico fazer com que as equipas sintam que devem, efetivamente, aderir. Os nossos líderes tiveram aí um papel determinante, quer pelo incentivo à adesão junto das suas equipas, quer por aderirem eles próprios ao programa dando o exemplo.

Como vê o futuro dos RH e da Gestão de Pessoas?
Vivemos num mundo onde o acesso à informação é maior que nunca. Isso torna-nos a todos mais exigentes e coloca pressão sobre as empresas. Pressão por parte dos clientes que querem mais inovação e respostas mais rápidas, mas também pressão por parte dos colaboradores, para quem é cada vez mais importante ser feliz no trabalho e que querem mais espaço para criar, oportunidades para se desenvolverem e bem-estar. Temos, por isso, que ser mais ágeis e adaptativos.

Tal como assistimos no Marketing a uma crescente importância do serviço e experiência de Cliente, teremos que nos Recursos Humanos abandonar uma abordagem mais processual e focar o nosso trabalho na construção de uma experiência de trabalho mais enriquecedora e satisfatória. Para o fazermos bem teremos que cocriar esta experiência com os próprios colaboradores. Este deverá ser um trabalho contínuo que se adapte rapidamente às mudanças a que vamos continuar a assistir.

Por outro lado, devemos cada vez mais investir no desenvolvimento de novas competências e formas de trabalho que permitam criar a agilidade necessária para dar resposta aos novos desafios de negócio. Os Recursos Humanos deverão ser os catalisadores desta transformação, que começa com a consciencialização de todos os colaboradores para a adoção de uma postura de aprendizagem permanente, que terá que estar muito assente em self-learning, on the job training e peer-to-peer learning.

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