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Cérebro e aprendizagem: 3 em 1, para uma aprendizagem mais interessante!

A utilização de estratégias que consideram o cérebro na sua totalidade e que respeitem as funções dos seus três sistemas podem tornar a aprendizagem mais interessante, rápida e efetiva. Comunicar e liderar durante um processo de aprendizagem tem ‘ciência’ e entender as estruturas do cérebro humano pode ser o primeiro passo.

Quando em 1970 o neurocientista Paul MacLean publicou a sua teoria evolucionista do cérebro Triúnico, ficámos a saber que o cérebro humano possui em si três ‘cérebros’ diferentes, três sistemas complexos, com funções separadas, mas que interagem entre si: o cérebro Reptiliano (R-complex), o sistema límbico e o neocórtex. E apesar de cada um destes sistemas ter funções claras, nenhum deles funciona autonomamente.

O primeiro é considerado o mais primitivo de todos e tem funções como garantir a nossa sobrevivência física e a manutenção do nosso corpo, tais como a respiração, o batimento cardíaco, defesa do território e outras condutas primárias instintivas.

O segundo, conhecido por sistema límbico, é partilhado por todos os mamíferos, controla os sistemas hormonal, imunitário, a sexualidade e as emoções, e aciona um ‘sistema de alerta’ quando os estímulos são ambíguos ou parecidos com perigo, gerando medo ou ansiedade e desencadeando respostas do tipo fight or flight (luta ou foge). É neste sistema que se processa toda a memória emocional e é aqui que se encontra toda a memória contextual que é convertida em memória a longo prazo: lembramo-nos mais – e durante mais tempo – dos acontecimentos que envolvam uma emoção forte.

O terceiro cérebro é, por outro lado, o mais recente na história evolutiva do cérebro humano, e é talvez o mais importante no processo de aprendizagem, uma vez que tem toda a capacidade que precisamos para aprender e para recordar o que precisamos, desde que saibamos como: pensamento linguístico, lógico-matemático, abstrato, planeamento, resolução de problemas, motricidade fina e criatividade.

[mks_pullquote align=”left” width=”700″ size=”24″ bg_color=”#ffffff” txt_color=”#aa2549″]”Reparamos no que se move, no que muda, no que é diferente do habitual, e num contexto de aprendizagem pode garantir-se a existência de mudanças de estímulos sempre que se pretende chamar a atenção para um assunto em particular.”[/mks_pullquote]

Mas o que importa retirar deste modelo para os nossos processos de aprendizagem? O que a ciência nos mostra é que a utilização de técnicas como a repetição sistemática e mecanizada, típicas do método demonstrativo, podem ajudar a automatizar um determinado procedimento ou comportamento. Para além disso, é a estes mecanismos que devemos a nossa sobrevivência, a tendência para reparar naquilo que se passa à nossa volta e que é diferente do habitual.

Não nos é possível reparar sempre em tudo, ao mesmo tempo, mas reparamos no que se move, no que muda, no que é diferente do habitual, e num contexto de aprendizagem pode garantir-se a existência de mudanças de estímulos sempre que se pretende chamar a atenção para um assunto em particular: seja a introdução de um som, de uma imagem apelativa, ou de uma mudança na posição corporal.

Para além disso, entender como funciona o sistema límbico permite-nos otimizar a aprendizagem, fazendo uso das emoções. Na verdade, quando emocionamos as situações de aprendizagem, o nosso cérebro garante que a experiência se torna memorável: se por um lado, as emoções negativas podem atrasar ou mesmo bloquear a aprendizagem, as positivas facilitam a memorização e permitem tornar a aprendizagem mais rápida e efetiva.

Os momentos divertidos, através de jogos colaborativos, atividades desafiantes e concretizáveis que sirvam objetivos pedagógicos e que despertem a inteligência social do cérebro, podem servir o mesmo propósito. Com este tipo de estratégia é possível melhorar significativamente os resultados da aprendizagem e torná-la numa experiência inspiradora, positiva e única.

Para todos aqueles responsáveis por desenhar estratégias de aprendizagem e, sobretudo, para os que todos os dias são parte do processo de desenvolvimento de competências de profissionais, é importante perceber que os adultos aprendem melhor se pensarem por si próprios, se forem autónomos no processamento da informação e se sentirem que as suas preferências de aprendizagem são respeitadas. Só desta forma é possível criar significado e valor para a experiência de aprendizagem.

[mks_pullquote align=”left” width=”700″ size=”24″ bg_color=”#ffffff” txt_color=”#aa2549″]”O que a interligação destas estruturas cerebrais nos revela é que quando a comunicação é ambígua, ou quando do lado do formando existe uma perceção de insucesso ou rejeição, é acionado o tal ‘sistema de alerta’ que desencadeia uma inibição.”[/mks_pullquote]

Nesse sentido, as melhores metodologias são aquelas que impliquem a resolução de problemas, estudos de caso, análise e discussão em grupo e momentos de partilha de experiências.

Por outro lado, o que a interligação destas estruturas cerebrais nos revela é que quando a comunicação é ambígua, ou quando do lado do formando existe uma perceção de insucesso ou rejeição, é acionado o tal ‘sistema de alerta’ que desencadeia uma inibição. Nestes momentos, a nossa resposta é igual à de qualquer outro mamífero: fight or flight!

Em contexto de aprendizagem, este tipo de respostas devem merecer a atenção dos formadores. No mínimo, é fundamental garantir que são proporcionadas todas as condições para que a aprendizagem se dê num contexto desafiante mas sempre amistoso, confortável e seguro!

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